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Cluster: FEIRASTema: Quanto produzir para a feira

Quanto produzir para vender na feira: do chute à conta, com o exemplo das empadas

Aprenda a calcular quanto produzir para a feira com histórico de vendas, ajuste por clima e margem de segurança, num exemplo de empadas por sabor.

Publicado em Por Feirin

Quanto produzir para vender na feira: do chute à conta, com o exemplo das empadas

Para saber quanto produzir para vender na feira, use o que a barraca já vendeu: tire a média de cada sabor nas últimas feiras, ajuste para o dia que vem e some uma margem de segurança. São quatro passos, e cabem num caderno.

Quem decide no olho erra para os dois lados. Num dia volta para casa com metade da produção na caixa; no outro o produto acaba cedo e a feira inteira vira “acabou”. Os dois erros custam dinheiro, e dá para medir quanto.

O método abaixo roda com uma barraca de empadas artesanais, de frango, palmito e queijo. Todos os números são de exemplo, inventados para mostrar a conta. Os seus vêm do seu caderno.

Barraca de feira com bandejas de empadas e plaquinhas sem texto, cada uma marcada por uma cor para identificar o sabor

Anote o que vendeu e a que horas acabou

Sem anotação não existe conta. Em toda feira, escreva cinco coisas:

  • quanto levou de cada sabor;
  • quanto vendeu de cada sabor;
  • quanto sobrou;
  • a que horas cada sabor acabou, se acabou;
  • como estava o dia: clima e tipo de feira.

Um caderno e uma caneta presa na barraca bastam. A hora em que o sabor acabou é a anotação mais esquecida e a mais valiosa: venda que bate na produção é venda cortada, e a hora diz quanto foi cortado.

Estas são as quatro últimas feiras da barraca de empadas:

Feira Dia Levou Vendeu Sobrou O que aconteceu
1 nublado 140 100 40 Nada acabou
2 sol 120 110 10 Nada acabou
3 chuva 140 90 50 Movimento fraco a manhã inteira
4 sol 130 120 10 Frango e queijo acabaram às 11h; sobrou palmito

Na feira 4 a barraca levou 56 de frango, 32 de palmito e 42 de queijo. Sobrou e faltou na mesma feira: o total escondia o problema, e a anotação por sabor mostrou.

Produzido contra vendido em quatro feirasGráfico de barras agrupadas. Em cada uma das quatro feiras de exemplo, a barra laranja mostra o que a barraca de empadas produziu e a roxa o que vendeu. Em todas sobrou produto, e na última frango e queijo acabaram cedo.Produzido contra vendido, em empadasProduzidoVendido14010012011014090130120Primeira feiranublado · sobrou 40Segunda feirasol · sobrou 10Terceira feirachuva · sobrou 50Quarta feirasol · sobrou 10frango e queijo acabaram às 11h

Tire a média de cada sabor

Some o que cada sabor vendeu nas últimas feiras e divida pelo número de feiras. É o ponto de partida: o que a barraca vende num dia comum.

Sabor Feira 1 Feira 2 Feira 3 Feira 4 Média
Frango 48 52 44 56 50
Palmito 20 22 16 22 20
Queijo 32 36 30 42 35
Total 100 110 90 120 105

A barraca vende em média 105 empadas por feira. O frango é quase metade disso, o queijo um terço e o palmito menos de um quinto.

Média vendida por saborGráfico de barras horizontais com a média de empadas vendidas por feira em cada sabor. O frango vende quase metade do total, o queijo cerca de um terço e o palmito menos de um quinto.Média vendida por saborMédia das quatro feiras, em empadas por feiraFrangoPalmitoQueijo502035Total médio por feira: 105 empadas

Um aviso: na feira 4, frango e queijo acabaram às 11h. Os 56 e os 42 são o mínimo que esses sabores venderiam, então a média deles está um pouco baixa. A margem de segurança, mais abaixo, cobre essa folga.

Ajuste a média para clima, data e tipo de feira

A média é o dia comum, e o dia que vem quase nunca é. Compare cada feira com a média e veja o que mudou. No exemplo, as duas feiras de sol venderam 115 em média, perto de 10% acima de 105. A de chuva vendeu 90, perto de 15% abaixo. A nublada, 100, ficou perto da média.

Situação Ajuste usado De onde vem
Sol +10% Feiras 2 e 4: 115 vendidas, contra a média de 105
Chuva -15% Feira 3: 90 vendidas, contra a média de 105
Nublado 0% Feira 1: 100 vendidas, perto da média

Data (fim de mês, feriado, evento perto) e tipo de feira (maior, menor, de bairro) entram do mesmo jeito, mas só quando o caderno tiver feiras suficientes para comparar. No exemplo, quatro feiras só dão para medir clima. Até lá, anote tudo e não ajuste no chute.

A próxima feira é de sábado, com sol: ajuste de +10%. O frango sobe de 50 para 55, o palmito de 20 para 22 e o queijo de 35 para 38,5.

Veja a que horas a venda acontece

Anotar a hora de cada venda, ou pelo menos a hora em que o sabor acabou, mostra a curva da feira. Na feira 2, de sol e sem nenhum sabor esgotado, a venda subiu até as 9h, a hora de pico, e caiu daí em diante.

Empadas vendidas a cada hora da feiraGráfico de linha com a venda por hora numa feira de exemplo. A venda sobe até o pico, no meio da manhã, e cai até o fim. A faixa laranja marca a parte da venda que acontece depois das onze horas e que se perde quando o produto acaba cedo.Empadas vendidas a cada hora da feiraSegunda feira de exemplo, de sol, sem nenhum sabor esgotadoA partir das 11hsaíram 30 empadas618302620107h8h9h10h11h12hHora em que cada faixa de venda começa

Mais da metade da venda, 56 de 110 empadas, saiu entre 9h e 11h. A partir das 11h saíram 30, pouco mais de um quarto do dia.

Quem acaba às 11h perde essa cauda. Se a feira 4 teve curva parecida, é uma ordem de grandeza do que frango e queijo deixaram de vender. É estimativa, não medida, e por isso a hora em que acabou precisa estar no caderno.

Compare o custo da sobra com o custo da falta

Os dois erros não custam igual. No exemplo, cada empada custa R$ 3,00 para fazer (ingrediente e embalagem) e é vendida a R$ 8,00.

Sobra Falta
O que se perde O custo já gasto: R$ 3,00 por empada A margem que não entrou: R$ 8,00 menos R$ 3,00, ou R$ 5,00 por empada
Nas quatro feiras 110 empadas sobraram: R$ 330,00 Só dá para estimar na feira 4, pela curva

O R$ 3,00 é o pior caso da sobra: se ela virar jantar da família ou venda dentro da validade, perde-se menos. O custo de cada empada vem da sua ficha de custo, como no texto “Como precificar produtos para vender na feira: da conta da caixinha ao preço final”.

A taxa da feira fica fora dessa conta: você paga vendendo ou não, então ela não muda com a quantidade.

O que custa errar a quantidade, para cada ladoGráfico de barras agrupadas que compara o custo da sobra, em roxo, com o custo da falta, em laranja, para dez e para vinte empadas. A falta custa mais que a sobra nos dois casos.O que custa errar a quantidade, para cada ladoSobra custa R$ 3 por empada; falta tira R$ 5 de ganho por empada (R$ 8 de preço menos R$ 3 de custo)R$ 30R$ 50R$ 60R$ 100SobraFaltaSobraFalta10 empadas a mais ou a menos20 empadas a mais ou a menos

A falta também tem um custo que a conta não mostra: o cliente que ouviu “acabou” e comprou de outra barraca. Por isso a margem de segurança deve pender para cima, já que faltar custa mais que sobrar. Mas margem grande demais é só sobra planejada.

Some a margem de segurança e feche a quantidade por sabor

No exemplo, a margem é de 10% sobre o valor já ajustado, arredondando para cima. A escolha vem do custo: faltar custa R$ 5,00 por empada e sobrar custa R$ 3,00. Comece com uma margem pequena e mexa nela conforme a sobra e a hora em que acabou.

Sabor Média Ajuste de sol (+10%) Margem (+10%) Produzir
Frango 50 55 60,5 61
Palmito 20 22 24,2 25
Queijo 35 38,5 42,35 43
Total 105 115,5 127,05 129

Quantidade final de empadas para a próxima feiraCartão com o total de empadas a produzir e a divisão entre frango, palmito e queijo, mostrada em uma barra proporcional.129empadas paraa próxima feiraDia de sol, com margem de segurançaFrango 61Palmito 25Queijo 43Exemplo: barraca fictícia de empadas

Compare com a feira 4. A barraca levou 32 de palmito e vendeu 22; o método leva 25. Levou 56 de frango, que acabou às 11h; o método leva 61.

Se um sabor sempre sobra e outro sempre acaba, ajuste a margem de cada um, e não só a do total.

Três bandejas de empadas lado a lado com quantidades diferentes, a de frango mais cheia e a de palmito com poucas

Divida o total entre os sabores quando o forno manda

Às vezes o total já vem decidido: o forno de casa só dá conta de tantas fornadas, ou o dinheiro da compra tem teto. Aí divida pelo que cada sabor vende. Com o forno limitado a 100 empadas, a conta é 100 vezes a participação de cada sabor na média de 105:

  • frango: 100 × 50 ÷ 105, perto de 48;
  • queijo: 100 × 35 ÷ 105, perto de 33;
  • palmito: 100 × 20 ÷ 105, perto de 19.

O produto mais vendido ganha mais lugar na bandeja. Quando o total é curto, é o frango que não pode faltar.

O que fazer com a sobra, sem passar da validade

A melhor sobra é a que não existe, mas ela vai acontecer. Decida o destino antes da feira, não na hora de desmontar a barraca:

  1. Confira a validade. Ela vem da sua ficha técnica e do jeito que o produto foi guardado. Se a caixa passou horas no calor, ou você não sabe até quando vale, a sobra não volta para a venda.
  2. Etiquete cada lote com data de produção e validade. Na feira seguinte sai primeiro o mais antigo.
  3. Escolha o destino, dentro da validade: venda por encomenda nos dias seguintes, consumo da casa (o jantar da família é um destino real, e conta como custo da sobra) ou doação de produto bem conservado.
  4. Se a sua receita aguenta congelar antes de assar, deixe parte da produção crua e asse conforme a venda. Só faça isso se estiver na sua ficha técnica.
  5. Anote a sobra por sabor. É o dado que corrige a próxima conta.

Produto vencido não se vende, não se doa e não volta para a bandeja. As regras para vender sobra de um dia para o outro podem variar conforme a cidade e o produto: pergunte à vigilância sanitária da sua cidade antes de contar com isso.

Como planejar a primeira feira, quando não há histórico

Sem histórico, a conta vira estimativa, e deve ser tratada como tal:

  1. Pergunte à organização da feira quantos feirantes de comida participam, como é o movimento de um dia comum e se já existe barraca do mesmo produto.
  2. Defina o prejuízo máximo. É a sobra total vezes o custo. No exemplo, 60 empadas a R$ 3,00 dão R$ 180,00, fora a taxa da feira. Se o valor assusta, comece com menos.
  3. Reparta com peso: mais para o sabor mais comum, menos para o diferente. No exemplo, 30 de frango, 12 de palmito e 18 de queijo.
  4. Leve o caderno e anote a hora em que cada sabor acabou e a sobra por sabor.
  5. Trate como medição, não como previsão. Com três ou quatro feiras anotadas, a primeira média passa a valer.

Comece pelo caderno desta semana

Risque uma folha com as cinco anotações e leve na próxima feira. Na semana seguinte, tire a primeira média e refaça a conta deste texto com os seus números.

O planejador de produção do feirante, o ebook que acompanha este texto, traz a folha de anotação, a tabela de planejamento para preencher, o exemplo das empadas resolvido em quatro feiras seguidas e o roteiro da véspera, com compras, produção e embalagem.

Se a quantidade está certa e mesmo assim sobra, o problema pode estar em quem passa sem parar. Veja como decorar a barraca de feira para fazer quem passa parar.

A ideia do Feirin é registrar a produção e a venda de cada dia e mostrar o que sai e o que sobra por produto. Ele está em desenvolvimento e ainda não pode ser usado: acompanhe o Feirin para saber quando abrir.

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