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Como escolher em qual feira vender comida: o método para avaliar antes de pagar a taxa

Método para avaliar uma feira antes de pagar a taxa: público, movimento, concorrência, estrutura, perguntas ao organizador e a conta do mínimo a vender.

Publicado em Por Feirin

Como escolher em qual feira vender comida: o método para avaliar antes de pagar a taxa

Como escolher feira para vender comida? Visite antes, conte quem passa, descubra quem já vende o mesmo que você, pergunte ao organizador o que a taxa inclui e faça a conta de quantas unidades precisa vender para a taxa se pagar. Só depois diga sim.

O jeito mais comum de perder uma taxa é aceitar a feira por indicação ou pelo Instagram. Você monta a barraca e descobre no dia que o público não é o seu, que há cinco barracas vendendo a mesma coisa, que falta ponto de energia ou que o movimento só existia na foto.

Abaixo está o método inteiro, com um exemplo do começo ao fim: uma barraca de churros recheados avaliando três feiras fictícias. Os números do exemplo são inventados para ensinar a conta, não são números de mercado. Troque pelos seus.

A barraca de churros do exemplo, com bandeja de churros e bisnagas de doce de leite e chocolate no balcão, numa feira de rua

Os quatro passos antes de pagar: visitar, perguntar, calcular e testar

Visitar mostra o que a foto esconde. Perguntar tira do organizador o que ele não conta sozinho. Calcular transforma tudo em número. Testar limita o risco do primeiro compromisso.

Caminho da decisão antes de pagar a taxaQuatro caixas ligadas por setas, em sequência: visitar, perguntar, calcular e testar, cada uma com o que se confere naquele passo.Visitarpúblico, movimentoe concorrênciaPerguntartaxa, estruturae regrasCalcularmínimo a venderpara pagar a taxaTestaruma data só, antesdo compromisso longo

As seções seguem essa ordem. Nenhuma pede planilha: bastam caneta, celular e uma calculadora.

O exemplo: uma barraca de churros e três feiras

A barraca vende churros recheados de doce de leite e de chocolate, fritos na hora. O preço é R$ 12,00 e cada churros custa R$ 4,00, somando massa, óleo, recheio e embalagem. Sobram R$ 8,00 por unidade vendida. Para achar o custo e o preço do seu produto, veja como precificar produtos para vender na feira.

Feira (fictícia) Quando Público Taxa de exemplo
A: feira de bairro domingo de manhã vizinhança que sai para o café R$ 80,00, baixa
B: feira gastronômica à noite gente que vai para comer R$ 400,00, alta
C: evento em praça sábado e domingo público de passagem R$ 600,00 pelo fim de semana, alta

Churros recheados na bandeja ao lado de bisnagas de doce de leite e de chocolate, o produto usado em todas as contas do texto

Visitar: o público da feira compra o que você vende?

Pergunte quem está ali e se essa pessoa compra o que você vende. Observe a idade, se vem em família, se está com pressa ou passeando, se vai comer na hora ou levar para casa. Olhe também o que os outros vendem bem e o que ninguém vende.

No exemplo, a feira de bairro reúne gente da vizinhança que sai para o café e leva doce para casa. A gastronômica junta quem foi para comer, então sobremesa vende. O evento em praça tem muita gente, mas passando para ver o evento, não para comer.

Visitar: o movimento real, contado por você

Vá no mesmo dia e horário em que você venderia, não em outro. Foto de rede social mostra o melhor minuto da feira. Faça três coisas:

  • Conte as pessoas que passam em frente a uma barraca por dez minutos, no começo, no meio e perto do fim da feira.
  • Anote quantas param e quantas compram. Quem só passa não é venda.
  • Converse com feirante que já está lá: quanto a feira rende num dia bom e num fraco, a que horas o movimento cai e se ele pagaria a taxa de novo.

Ouça mais de um feirante, porque um pode exagerar e outro estar de mau humor. A contagem e as conversas viram a sua estimativa de venda, que entra na conta do mínimo mais adiante.

Visitar: quantas barracas vendem o mesmo que você

Concorrência direta é quem vende o mesmo que você, ou o que o cliente compraria no lugar, na mesma hora. Conte as barracas e anote onde ficam. Cinco barracas de doce frito dividem o mesmo público, e quem fica ao lado de duas delas vende menos que quem fica sozinho.

No exemplo, a feira de bairro tem uma barraca de doce parecido, a gastronômica tem três e o evento em praça tem duas. Concorrência não é motivo automático para desistir: um recheio que ninguém faz pode compensar. Mas a conta precisa saber disso antes. Pergunte ao organizador se ele limita barracas do mesmo tipo.

Perguntar e olhar: energia, água e cobertura

Estrutura muda o custo e o jeito de trabalhar. Confira antes de pagar:

  • Energia: se existe ponto, para quantas barracas, se é cobrado à parte e se aguenta o seu equipamento.
  • Água e banheiro: para o preparo, para lavar e para a sua equipe.
  • Cobertura: se a tenda vem com a taxa ou se você leva a sua, e o que acontece com sol forte ou chuva.
  • Montagem: horário, local de descarga e onde estacionar.
  • Fogão, fritadeira ou botijão: pergunte se há regra para o equipamento que você usa.

No exemplo, quem frita na hora precisa saber da regra do gás e do ponto de energia antes de se comprometer.

Perguntar: a taxa de participação e o que ela inclui

Taxa não é só o valor: é o valor pelo que vem junto. Pergunte se é por dia ou pelo fim de semana, quando se paga, se há devolução quando a feira é cancelada e o que está incluso: espaço, tenda, mesa, energia, divulgação, segurança.

Taxa baixa sem estrutura pode custar mais que taxa alta com tudo incluso, porque a tenda, a extensão ou o gerador saem do seu bolso. Some o que falta à taxa antes de comparar.

Regras de documentação, de autorização e de segurança dos alimentos mudam de cidade para cidade e de feira para feira. Este texto não afirma nenhuma delas como regra geral: confirme com o organizador e com a prefeitura da sua cidade o que você precisa ter em dia.

As perguntas para mandar ao organizador

Mande por mensagem, para ficar por escrito:

  1. Quantas barracas a feira tem e quantas vendem o mesmo que eu?
  2. Qual é o movimento médio de visitantes, e de onde vem esse número?
  3. A taxa é por dia ou pelo fim de semana, e o que ela inclui?
  4. Quando se paga, e há devolução se a feira for cancelada?
  5. Tem ponto de energia, água e cobertura? Quem paga cada um?
  6. Posso usar fogão, fritadeira ou botijão de gás?
  7. Que documentos e autorizações a organização pede de mim?
  8. Posso conversar com feirantes que já participam e fazer uma data de teste?

Resposta vaga, ou nenhuma, também é resposta, e entra na ficha.

Calcular: o mínimo a vender para a taxa se pagar

A conta é uma divisão: mínimo a vender = custos fixos da feira ÷ sobra de cada unidade. Custos fixos são o que você paga vendendo ou não: taxa, transporte e ajudante. É a mesma ideia do ponto de equilíbrio que aparece em como saber se a feira deu lucro no fechamento do dia, contada em unidades.

Sobra por churros vendidoCartão com o valor que sobra de cada churros vendido no exemplo: oito reais, que é o preço de doze reais menos o custo de quatro reais.R$ 8sobram de cada churros vendidoR$ 12 de preço menos R$ 4 de custovalores de exemplo

Feira Taxa Transporte Ajudante Custos fixos Mínimo a vender
A: bairro R$ 80 R$ 20 R$ 0 R$ 100 13 churros
B: gastronômica R$ 400 R$ 30 R$ 100 R$ 530 67 churros
C: praça R$ 600 R$ 60 R$ 200 R$ 860 108 churros

Dividindo por R$ 8 e arredondando para cima: 100 ÷ 8 dá 12,5, então 13; 530 ÷ 8 dá 66,25, então 67; 860 ÷ 8 dá 107,5, então 108. No evento em praça, o número vale para o fim de semana inteiro.

Mínimo a vender e venda estimada em cada feiraGráfico de barras com duas barras por feira: o mínimo de churros para pagar a taxa e a venda estimada. Na feira de bairro o mínimo é treze e a venda estimada noventa; na gastronômica, sessenta e sete e cento e cinquenta; no evento em praça, cento e oito e cento e vinte.Mínimo para pagar a taxaVenda estimada139067150108120Feira de bairrodomingo de manhãFeira gastronômicaà noiteEvento em praçafim de semana

O mínimo é piso, não meta. Compare com a venda que você estima depois da visita. A sobra esperada é a venda estimada vezes R$ 8, menos os custos fixos.

Feira Venda estimada Mínimo Sobra esperada
A: bairro 90 churros 13 R$ 620
B: gastronômica 150 churros 67 R$ 670
C: praça 120 churros 108 R$ 100

A feira de bairro sobra quase o mesmo que a gastronômica com taxa bem menor e com venda muito acima do mínimo. No evento em praça, a venda estimada passa do mínimo por só 12 churros: uma manhã fraca zera a sobra. Quanto levar em cada feira é outra conta; veja como decidir quanto produzir para vender na feira.

Comparar: nota por critério, lado a lado

Dê nota de 1 a 5 a cada critério, sendo 5 a melhor. Em concorrência, 5 é pouca concorrência. Em taxa, a nota é pelo que ela inclui.

Critério A: bairro B: gastronômica C: praça
Público que compra o que vendo 4 5 2
Movimento real 3 4 2
Pouca concorrência 4 2 3
Energia, água e cobertura 3 4 3
Taxa pelo que inclui 5 2 1
Organizador 4 4 3
Total (máximo 30) 23 21 14

Notas das três feiras por critérioGráfico de barras horizontais com a nota de cada feira em seis critérios. A feira de bairro tem as melhores notas em taxa e concorrência; a gastronômica, em público e movimento; o evento em praça tem as notas mais baixas em público, movimento e taxa.A: feira de bairroB: feira gastronômicaC: evento em praçaPúblico que compra452Movimento real342Pouca concorrência423Energia, água e cobertura343Taxa pelo que inclui521Organizador443Nota de um a cinco; cinco é a melhor.

A nota não decide sozinha: use junto com o mínimo a vender. No exemplo, a feira de bairro vence nos dois. A gastronômica fica como segunda opção, para testar. O evento em praça só entraria com taxa menor.

Sinais de alerta de feira ruim e de organizador pouco sério

São sinais, não sentença. Um sozinho pede mais perguntas; vários juntos pedem que você saia:

  • Não deixa visitar nem conversar com os feirantes.
  • Promete "muito movimento" sem dizer de onde vem o número.
  • Pede o pagamento todo adiantado sem dizer o que a taxa inclui nem o que acontece se a feira for cancelada.
  • Não responde pergunta objetiva sobre energia, água, cobertura e regras.
  • Aceita muitas barracas do mesmo produto, sem limite.
  • Feirantes antigos saíram e falam mal da organização.
  • Não há dia, horário e contato claros, ou o local muda de última hora.

Testar: uma feira de teste antes do compromisso longo

Em vez de fechar vários meses, peça uma data só. Leve apenas o que aceita perder: na primeira feira sem histórico a quantidade é estimativa, e o resultado dela vira o primeiro dado do seu histórico.

Anote a hora em que o movimento sobe e cai, quantos compraram, o que sobrou e o que a feira custou de verdade. Feche a conta no mesmo dia, antes de desmontar, com o caderno de fechamento do feirante, que traz a tabela para comparar feiras.

Se o organizador só aceita contrato longo e não deixa testar, isso entra na ficha como ponto contra.

Próximo passo: visite uma feira da sua lista neste fim de semana

Vá com a tabela de notas anotada no celular e as perguntas já enviadas ao organizador. Para decidir quais feiras visitar, o site do Feirin tem um guia de feiras com dia, horário e contato da organização.

O Feirin está em desenvolvimento e ainda não pode ser usado. A ideia é mostrar o resultado de cada feira para você comparar uma com a outra. Acompanhe o desenvolvimento do Feirin.

O roteiro completo vai em um ebook de avaliação de feira: ficha com nota por critério para preencher, perguntas prontas para mandar ao organizador, as três feiras do churros resolvidas e o registro para comparar as feiras que você já fez.

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