Feira em dia de chuva: o que fazer e como decidir se vai ou fica
Previsão ruim na véspera? Veja a conta de ir ou ficar, quanto produzir, como proteger a barraca e como guardar reserva para o dia ruim da feira.
Publicado em Por Feirin

O que fazer com a feira em dia de chuva? Vá se a venda que você espera cobre o que ainda dá para evitar de gastar; se não cobre, fique em casa. O que já foi gasto, como a taxa paga e o caldo que ficou pronto na véspera, está perdido nos dois casos e não entra na decisão.
Este texto é o plano do dia ruim para quem produz na véspera e acorda com o céu fechado: ler a previsão, fazer a conta de ir ou ficar, produzir menos, proteger a barraca, segurar o movimento fraco, dar destino à sobra e guardar reserva nos dias bons. O exemplo é uma barraca de caldos em copo (feijão, mandioca e verde) num sábado de chuva. Todos os números são de exemplo, não de mercado.

Olhe a previsão duas vezes e dê nome ao dia
Olhe na véspera, para decidir quanto produzir, e de manhã cedo, para decidir se vai. Entre uma e outra a previsão muda. Quem decide só na hora de montar já gastou o que dava para poupar.
Combine consigo mesmo, antes de a chuva chegar, o que é cada tipo de dia:
- Bom: sem chuva no horário da feira.
- Incerto: chuva possível, ou só em parte do horário.
- Ruim: chuva forte ou vento no horário em que a rua enche.
Olhe a hora em que a chuva cai, não só se ela cai. Chuva que passa antes de a feira abrir é um dia; chuva que pega a feira inteira é outro.
Chuva também não pesa igual para todo produto. Para caldo, o frio pode ajudar: quem passa de guarda-chuva e mão gelada procura algo quente. Mas tempestade com vento esvazia a rua para qualquer barraca. Não aposte no palpite: anote o que vendeu em cada tipo de dia, e em poucas feiras ele vira dado. O método de média e margem está em Quanto produzir para vender na feira: do chute à conta.
A conta de ir ou ficar: só conta o que ainda dá para evitar
Quando o dia amanhece fechado, a taxa já foi paga e o caldo já está nas panelas. Esse dinheiro não volta se você ficar em casa. O que muda a decisão é o que ainda dá para evitar: o ajudante, o gás e o transporte.
No exemplo, a venda esperada num dia ruim é de R$ 500. A tabela mostra os dois caminhos:
| Ir | Ficar em casa | |
|---|---|---|
| Venda esperada | R$ 500 | R$ 0 |
| Já gasto: taxa de R$ 120 e ingredientes e copos de R$ 140 | −R$ 260 | −R$ 260 |
| Ainda evitável: ajudante de R$ 100 e gás e transporte de R$ 35 | −R$ 135 | R$ 0 |
| Resultado do dia | R$ 105 | −R$ 260 |
Ir deixa R$ 105 no bolso; ficar custa R$ 260. São R$ 365 a favor de ir, mesmo num dia fraco. Ficar só ganha quando a venda esperada é menor que os R$ 135 que ainda dava para evitar.
A conta supõe que a taxa não volta. Se o organizador devolve, remarca ou cancela a feira por chuva, o já gasto encolhe e a decisão muda. Isso varia de feira para feira: pergunte ao organizador antes, em vez de supor. E o ajudante só sai da conta se você avisar cedo, por isso a decisão não espera o meio-dia.
Produza menos quando a previsão é ruim
Produção ajustada é o que impede o dia ruim de virar prejuízo. Na véspera, com previsão ruim, faça menos panela e menos de cada sabor, cortando primeiro o que menos sai e mantendo o carro-chefe. Com previsão incerta, faça o meio-termo e, se o seu produto permitir, complete na manhã seguinte.
O gráfico mostra a mesma feira nos três dias, com a produção na proporção da venda esperada. Ingredientes, copos e gás custam 35% da venda; taxa e ajudante somam R$ 220 e não mudam, venda você ou não.
A venda cai de R$ 1.600 para R$ 500, e o dia ruim ainda fecha no azul, com R$ 105, porque o custo de produzir caiu junto. Se você tivesse produzido como no dia bom, com R$ 560 de ingredientes, copos e gás, e vendido os mesmos R$ 500, o dia fecharia no vermelho antes mesmo de pagar a taxa e o ajudante.
Proteja a barraca, o produto e o cliente da chuva e do vento
Montar com chuva é possível. O que molha o produto e espanta o cliente é montar sem preparo. Confira cinco pontos antes de abrir:
- Lona e toldo: incline a lona para a água escorrer para fora da barraca e do corredor, não para dentro. Prenda os pés com peso, porque o vento levanta toldo vazio. Feche a lateral do lado de onde vem o vento.
- Produto: panelas tampadas e longe do respingo; copos, tampas e guardanapos em caixa fechada; caldo servido em copo com tampa, para o cliente levar andando.
- Gás, fogareiro e tomada: tudo longe da água. Extensão e tomada molhadas são risco de choque; se não der para mantê-las secas, não ligue.
- Chão: piso molhado escorrega. Ponha tapete ou papelão onde você e o cliente pisam.
- Cliente: quando chove, o toldo é o seu ponto de venda. Deixe um espaço coberto na frente do balcão para quem para ali ficar seco.

O que a feira permite de toldo, lona e peso muda de organizador para organizador. Confirme antes de montar de um jeito que pode ser barrado.
Movimento fraco: chame quem passa e avise quem já compra
Com a rua vazia, a barraca não pode ficar parada esperando. Três ações ajudam sem custo:
- Deixe a panela à vista, com vapor. O cheiro de caldo quente chama mais que cartaz.
- Use cartaz plastificado, legível de longe, com o preço do copo.
- Ofereça uma prova pequena, em copinho, para quem para.
Avise também os clientes que já compram: uma mensagem curta no WhatsApp dizendo que você está na feira e o caldo está quente. Só para quem deu o contato e aceitou receber. Os modelos de mensagem estão no Kit do cliente que volta, do tema Do cliente da feira à encomenda.
Promoção de fim de feira, com piso de preço
Perto do fim, quando a rua já esvaziou, uma promoção pode tirar da sobra o que ia sobrar de qualquer jeito. Defina o piso antes, no papel, não na hora. O piso é o menor preço que ainda cobre o que você gasta em cada copo.
No exemplo, o copo custa R$ 12, e o que se gasta nele (ingredientes, copo e gás) é R$ 4,20. O piso é de R$ 7: ainda cobre o custo e deixa R$ 2,80 para ajudar a pagar a taxa. Abaixo disso você troca sobra por prejuízo. A conta do custo de cada produto está em Como precificar produtos para vender na feira: da conta da caixinha ao preço final.
O que fazer com a sobra, sem passar da validade
A sobra é o preço do dia ruim, e o destino dela precisa ser decidido antes. A regra vale para todos: produto vencido não se vende e não se doa. A sobra só tem destino dentro da validade e bem conservada.
Para comida pronta, como o caldo, o prazo depende de como ela foi conservada e das regras da sua cidade. Na dúvida, descarte, e confirme as regras com a vigilância sanitária local. A conservação e o transporte têm tema próprio: Como conservar e transportar comida para a feira.
Dentro da validade, as saídas são:
- Oferecer aos clientes que você avisou, para retirar logo depois da feira.
- Guardar para a próxima feira, se o produto tem validade longa e foi bem conservado.
- Anotar como perda no fechamento do dia, para o dia ruim aparecer na conta. O passo a passo está em Como saber se a feira deu lucro: o fechamento do dia, passo a passo.
Reserva para dia ruim: guarde nos dias bons
A reserva é a parte da sobra dos dias bons que você separa antes de virar dinheiro de casa. Ela paga a semana perdida sem tirar do bolso e deixa a sua retirada igual toda semana.
No exemplo, o mês tem quatro sábados: três bons, com R$ 820 de sobra cada, e um de chuva em que você fica em casa e perde R$ 260. O mês fecha em R$ 2.200. Retirando R$ 550 por semana, cada semana boa deixa R$ 270 na reserva. Depois de três, são R$ 810, exatamente o que cobre a semana de chuva.
Mantenha a reserva numa conta ou envelope à parte, longe do caixa da barraca e do dinheiro de casa. Quanto guardar depende do pior sábado que você aceita ter, e esse número você calcula com a sua taxa e a sua produção.
Próximo passo: escreva a regra e faça as perguntas
- Escreva a regra dos três dias, bom, incerto e ruim, com a produção de cada um.
- Separe o que é já gasto do que é ainda evitável na sua barraca.
- Pergunte ao organizador, usando a tabela abaixo.
- Abra a reserva no próximo dia bom.
| Pergunta ao organizador | Por que importa |
|---|---|
| A taxa é devolvida, ou vale para outra data, se a feira for cancelada por chuva? | Muda o que conta como já gasto |
| Quem decide cancelar a feira, e até que horas avisa? | Define a hora da sua decisão |
| Há regra para toldo, lona e peso? | Evita ser barrado ao montar |
| Se eu faltar num dia de chuva, perco o meu ponto? | Muda o custo de ficar em casa |
O Feirin é o app que mostra o resultado de cada feira e deixa ver o mês inteiro, com os dias bons e os ruins. Ele ainda está em desenvolvimento e não pode ser usado; acompanhe. Até lá, o Caderno de fechamento do feirante: em dez minutos você sabe se a feira deu lucro registra o resultado de cada feira no papel. O plano de contingência do feirante, com o roteiro de decisão, o kit de chuva, a tabela de produção por previsão e a folha da reserva, reúne o resto.
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